{"id":12458,"date":"2024-09-19T16:55:56","date_gmt":"2024-09-19T19:55:56","guid":{"rendered":"https:\/\/sincomavi.org.br\/?p=12458"},"modified":"2024-09-20T14:28:16","modified_gmt":"2024-09-20T17:28:16","slug":"carta-de-conjuntura-setembro-de-2024","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sincomavi.org.br\/?p=12458","title":{"rendered":"Carta de Conjuntura &#8211; Setembro de 2024"},"content":{"rendered":"\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-default\"\/>\n\n\n<div class=\"wp-block-post-date\"><time datetime=\"2024-09-19T16:55:56-03:00\">19 de setembro de 2024<\/time><\/div>\n\n\n<p><strong>Por Jaime Vasconcellos, economista.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>E n\u00e3o deu outra, o Banco Central aumentou no \u00faltimo dia 18 a taxa b\u00e1sica de juros da economia em 0,25 ponto percentual, elevando nossa Selic para 10,75% ao ano. O mercado at\u00e9 apostava em sua maioria neste cen\u00e1rio, a despeito de alguns poucos que n\u00e3o acreditavam nessa retomada de uma pol\u00edtica monet\u00e1ria mais restritiva, at\u00e9 considerando um cen\u00e1rio de queda nos juros americanos e que no pa\u00eds impera-se um juro real (diferen\u00e7a entre a Selic e a Infla\u00e7\u00e3o oficial) de cerca de 6 pontos percentuais, o que \u00e9 significativo. Mas vamos aos motivos e aos progn\u00f3sticos desta decis\u00e3o do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (COPOM).<\/p>\n\n\n\n<p>Em suma, a decis\u00e3o do Banco Central \u00e9 calcada em duas vari\u00e1veis. A economia brasileira possui um forte aquecimento da demanda interna, puxada pelo resiliente mercado de trabalho e expans\u00e3o do cr\u00e9dito, que pressiona o n\u00edvel geral de pre\u00e7os (infla\u00e7\u00e3o). Ao mesmo tempo, a pouca credibilidade, ou as escassas a\u00e7\u00f5es dos governos quanto aos equil\u00edbrios de seus gastos, gera aten\u00e7\u00e3o quanto ao tamanho das press\u00f5es inflacion\u00e1rias que este impulso fiscal tamb\u00e9m pode criar, para al\u00e9m da que j\u00e1 existe. Portanto, o receio em rela\u00e7\u00e3o aos impactos na infla\u00e7\u00e3o devido a uma demanda aquecida e a atual pol\u00edtica fiscal expansionista s\u00e3o os principais motivadores do aumento de juros no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se pode deixar de lado a an\u00e1lise dos impactos negativos desse avan\u00e7o do juro b\u00e1sico em nossa rotina. Ele tende sim a enfraquecer a demanda via um cr\u00e9dito mais caro e traz freios ao pr\u00f3prio crescimento econ\u00f4mico nacional, principalmente a partir de 2025. E esse \u00e9 o objetivo do Banco Central. Dado principalmente que a pol\u00edtica fiscal tem caminhado em lado oposto, mais que impulsionando a economia e resultando em um desequil\u00edbrio entre demanda e oferta. O resultado dessa receita \u00e9 press\u00e3o nos pre\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;O Banco Central, exercendo o seu papel de zelador pela estabilidade econ\u00f4mica, est\u00e1 adiantando o avan\u00e7o deste problema (pre\u00e7os) no Brasil, ainda que seja de forma amarga a consumidores e empres\u00e1rios, pois sentiremos no bolso as opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito ainda mais caras.<\/p>\n\n\n\n<p>Vivemos em um pa\u00eds onde as pol\u00edticas monet\u00e1rias (juros) e fiscal (gastos p\u00fablicos) n\u00e3o caminham no mesmo sentido. Quem paga por isso \u00e9 a popula\u00e7\u00e3o, novamente consumidores e empres\u00e1rios. \u00c9 compreens\u00edvel a cr\u00edtica ao aumento de juros, por\u00e9m o Banco Central est\u00e1 cumprindo com o seu conhecido e esperado papel, que \u00e9 ser conservador e atuar em prol da estabilidade de pre\u00e7os no pa\u00eds. Sabendo desse vi\u00e9s conservador, trilhamos n\u00e3o um caminho de conson\u00e2ncia das pol\u00edticas fiscal e monet\u00e1ria, at\u00e9 para menores impactos negativos \u00e0 economia real. Infelizmente \u00e9 um \u201ccabo de guerra\u201d entre quem pensa no longo prazo (Banco Central) e quem busca manter no curto prazo um crescimento econ\u00f4mico acima das expectativas (Governo)<\/p>\n\n\n\n<p>E quando se fala em curto prazo, \u00e9 porque infelizmente se sabe que um modelo de crescimento baseado em sobreaquecimento da demanda, e via gastos p\u00fablicos, esbarra em nada al\u00e9m de infla\u00e7\u00e3o e desequil\u00edbrio fiscal (ou mais desequil\u00edbrio). A tend\u00eancia sendo de novos avan\u00e7os dos juros, nos traz desafios complexos aos planejamentos operacionais, seja do or\u00e7amento familiar, seja das decis\u00f5es empresariais. Com juros mais altos e por mais tempo, sentiremos algum enfraquecimento na demanda, bem como de forma conjunta o encarecimento do cr\u00e9dito, se a ele recorrermos. Em um momento de quase transi\u00e7\u00e3o de ano, \u00e9 hora de sentar e rever os planos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Seguem abaixo as nossas proje\u00e7\u00f5es aos principais indicadores macroecon\u00f4micos ainda para 2024:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>PIB<\/strong>: 2,8%<\/li>\n\n\n\n<li><strong>IPCA<\/strong>: 4,40%<\/li>\n\n\n\n<li><strong>SELIC<\/strong>: 11,25% a.a.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Taxa de C\u00e2mbio:<\/strong> 5,45<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Balan\u00e7a comercial<\/strong>: + US$ 80 bi<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Taxa de desemprego ao fim do ano (PNAD):<\/strong> 6,8%<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Volume de vendas do com\u00e9rcio ampliado BR (12 meses)<\/strong>: +3,7%<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Volume de servi\u00e7os BR (12 meses)<\/strong>: +2,4%<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-default\"\/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Jaime Vasconcellos, economista. 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