{"id":12280,"date":"2024-08-19T09:30:00","date_gmt":"2024-08-19T12:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/sincomavi.org.br\/?p=12280"},"modified":"2024-08-19T09:30:13","modified_gmt":"2024-08-19T12:30:13","slug":"carta-de-conjuntura-agosto-2024","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sincomavi.org.br\/?p=12280","title":{"rendered":"Carta de Conjuntura &#8211; Agosto 2024"},"content":{"rendered":"\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-default\"\/>\n\n\n<div class=\"wp-block-post-date\"><time datetime=\"2024-08-19T09:30:00-03:00\">19 de agosto de 2024<\/time><\/div>\n\n\n<p><strong>Por Jaime Vasconcellos, economista.\u00a0<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nossa fotografia de agosto mostra que a economia dom\u00e9stica continua mais resiliente do que o esperado, mesmo frente a um cen\u00e1rio internacional de tens\u00f5es e incertezas e interno com riscos fiscais, ano eleitoral e p\u00f3s-crise social e econ\u00f4mica com as enchentes no Rio Grande do Sul. Abaixo vamos demonstrar o porqu\u00ea desse cen\u00e1rio aquecido e os riscos de se tornar sobreaquecido.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em junho de 2023 projetava-se que o PIB de 2024 cresceria por volta de 0,8%. Neste primeiro semestre as estimativas foram ajustadas semana ap\u00f3s semana e at\u00e9 2,5% de avan\u00e7o foi citado. Com a crise no Rio Grande do Sul, muitas proje\u00e7\u00f5es passaram a ser em torno dos +2%, ou at\u00e9 pouco menos que isso. Todavia, o Boletim Focus do Banco Central j\u00e1 nos aponta em agosto a expectativa de evolu\u00e7\u00e3o por volta dos 2,2% para 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>Outros indicadores que mostram essa resili\u00eancia dom\u00e9stica nos auxiliam a compreender tal quadro. O IBC-Br, considerado a pr\u00e9via do PIB nacional, subiu 1,4% em junho (em rela\u00e7\u00e3o a maio), n\u00famero bem superior ao esperado pelo mercado. J\u00e1 o setor de servi\u00e7os, o principal da nossa economia, voltou a crescer em junho (+1,7% em rela\u00e7\u00e3o a maio) e atingiu o seu maior patamar da s\u00e9rie hist\u00f3rica. Isso tudo sem contar o avan\u00e7o do volume de vendas do com\u00e9rcio em mais de 5% no primeiro semestre e o pr\u00f3prio mercado de trabalho, que deve novamente contar no atual ano com 1,5 milh\u00e3o de vagas criadas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Se por um lado, os dados acima se revelam dignos de alento e at\u00e9 certa esperan\u00e7a, por outro \u00e9 importante observar quais s\u00e3o as suas origens e suas fragilidades, principalmente no quesito de sustenta\u00e7\u00e3o temporal. \u00c9 evidente que a economia brasileira cresce novamente pelo pilar do consumo das fam\u00edlias. \u00c9 um resultado claro de uma retroalimenta\u00e7\u00e3o positiva do emprego gerando emprego, o que ajuda a massa de sal\u00e1rios, mas que tamb\u00e9m \u00e9 proveniente da aquisi\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito (endividamento) e queima de poupan\u00e7a. Fora isso, h\u00e1 de se considerar o avan\u00e7o de pol\u00edticas assistenciais que injetaram e injetam bilh\u00f5es na economia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Se no curto prazo este modelo de crescimento gera resultados, tamb\u00e9m se sabe que o pilar do consumo tem prazo de validade restrito quando o mesmo \u00e9 praticamente o \u00fanico motor da economia. Seja pelo avan\u00e7o da demanda superar ao ritmo de oferta, o que gera infla\u00e7\u00e3o, ou pelo esgotamento fiscal para sustenta\u00e7\u00e3o de equil\u00edbrio e confian\u00e7a na sa\u00fade financeira do setor p\u00fablico, as trincas deste modelo sempre aparecem; mais dia, menos dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Inclusive, j\u00e1 se nota um movimento ascendente das expectativas inflacion\u00e1rias no pa\u00eds, tanto que o risco de essa desancoragem ocorrer paralisou o Banco Central de dar continuidade \u00e0s redu\u00e7\u00f5es de juros em 2024. E fica claro que esse rearranjo dos juros, motivada pela preocupa\u00e7\u00e3o com a infla\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m prov\u00e9m de aumento do risco fiscal brasileiro, haja vista os movimentos recentes do c\u00e2mbio a cada fala \u201cdespretensiosa\u201d de nossos governantes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em suma, n\u00e3o se nega o aquecimento econ\u00f4mico brasileiro no curto prazo. O que traz preocupa\u00e7\u00f5es, at\u00e9 pelo hist\u00f3rico, \u00e9 que a falta de um ambiente mais prop\u00edcio aos avan\u00e7os de produtividade dom\u00e9stica, seja na m\u00e3o de obra ou para maior absor\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, e o desrespeito aos n\u00edveis sustent\u00e1veis dos gastos p\u00fablicos, tendem a nos levar de novo ao perigoso caminho do risco inflacion\u00e1rio e desequil\u00edbrio fiscal. Para 2024 o cen\u00e1rio est\u00e1 at\u00e9 que meio dado, e continua forte, mas h\u00e1 que se compreender as fragilidades nos horizontes para que possamos nos planejar antecipadamente em rela\u00e7\u00e3o aos desafios que tendem a nos afligir.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Seguem abaixo as nossas proje\u00e7\u00f5es aos principais indicadores macroecon\u00f4micos ainda para 2024:<\/h3>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>PIB<\/strong>: 2,4%<\/li>\n\n\n\n<li><strong>IPCA<\/strong>: 4,30%<\/li>\n\n\n\n<li><strong>SELIC<\/strong>: 10,50% a.a.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Taxa de C\u00e2mbio:<\/strong> 5,35<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Balan\u00e7a comercial<\/strong>: + US$ 80 bi<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Taxa de desemprego ao fim do ano (PNAD):<\/strong> 6,8%<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Volume de vendas do com\u00e9rcio ampliado BR (12 meses)<\/strong>: +3,0%<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Volume de servi\u00e7os BR (12 meses)<\/strong>: +2,4%<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-default\"\/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Jaime Vasconcellos, economista.\u00a0 Nossa fotografia de agosto mostra que a economia dom\u00e9stica continua mais resiliente do que o esperado, mesmo frente a um cen\u00e1rio internacional de tens\u00f5es e incertezas e interno com riscos fiscais, ano eleitoral e p\u00f3s-crise social e econ\u00f4mica com as enchentes no Rio Grande do Sul. 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