{"id":11245,"date":"2024-02-23T08:48:39","date_gmt":"2024-02-23T11:48:39","guid":{"rendered":"https:\/\/sincomavi.org.br\/?p=11245"},"modified":"2024-02-23T08:48:42","modified_gmt":"2024-02-23T11:48:42","slug":"carta-de-conjuntura-fevereiro-de-2024","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sincomavi.org.br\/?p=11245","title":{"rendered":"Carta de Conjuntura &#8211; Fevereiro de 2024"},"content":{"rendered":"\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-default\"\/>\n\n\n<div class=\"wp-block-post-date\"><time datetime=\"2024-02-23T08:48:39-03:00\">23 de fevereiro de 2024<\/time><\/div>\n\n\n<p><strong>Por Jaime Vasconcellos, economista.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Poucas foram as mudan\u00e7as nos indicadores macroecon\u00f4micos projetados nas \u00faltimas semanas. Mant\u00e9m-se o cen\u00e1rio no qual o Produto Interno Bruto (PIB) estimado avan\u00e7ar\u00e1 pouco mais da metade do ano passado, com pouca press\u00e3o, ou ao menos controlada, de infla\u00e7\u00e3o e c\u00e2mbio, o que abre margem para a continuidade de mais redu\u00e7\u00f5es dos juros b\u00e1sicos da economia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda assim, nossa carta conjuntural focar\u00e1 as estimativas em um dos principais motores da demanda nos \u00faltimos anos, e que inclusive garantiu que em 2023 tiv\u00e9ssemos um avan\u00e7o econ\u00f4mico bem acima das primeiras proje\u00e7\u00f5es. Estamos falando do mercado de trabalho, ou melhor, de seu crescimento. Esse \u00e9 um indicador que j\u00e1 demonstra cansa\u00e7o e come\u00e7a a acender o sinal amarelo.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o Novo Caged, enquanto em 2020 o pa\u00eds perdeu cerca de 200 mil empregos celetistas, entre 2021 e 2023 foram geradas mais de 6,2 milh\u00f5es de vagas. Tal avan\u00e7o garantiu o aumento da massa de sal\u00e1rios, bem como, e consequentemente, o acesso a cr\u00e9dito e o aquecimento da demanda. Olhando n\u00e3o apenas aos v\u00ednculos celetistas, mas o cen\u00e1rio da ocupa\u00e7\u00e3o mais ampla, a PNAD Cont\u00ednua (IBGE) nos apresentou uma queda brusca da taxa de desocupa\u00e7\u00e3o no pa\u00eds: de mar\u00e7o de 2021, durante a segunda onda da pandemia, a dezembro de 2023 o percentual de desocupados passou de 14,9% para 7,4% no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Se, por um lado, o refor\u00e7o do mercado de trabalho sustentou a demanda interna e auxiliou ao avan\u00e7o at\u00e9 mesmo acima das expectativas do PIB nos \u00faltimos anos, por outro, esse cen\u00e1rio mostra enfraquecimento e para 2024 nos parece que os efeitos positivos que novas vagas criadas poderiam estimular a economia ser\u00e3o mais t\u00edmidos. Primeiro pela pr\u00f3pria limita\u00e7\u00e3o da economia brasileira em continuar a gerar empregos nos patamares vistos e, segundo, devido aos efeitos da necess\u00e1ria pol\u00edtica monet\u00e1ria contracionista que, com o seu natural atraso de influ\u00eancia (delay), chegaria aos indicadores da economia real, como ao emprego.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Prova disso \u00e9 que em 2023 o Novo Caged mesmo mostrando avan\u00e7o de quase 1,5 milh\u00e3o de v\u00ednculos adicionados, tal patamar foi inferior ao saldo de cerca de 2 milh\u00f5es vistos em 2022 e quase metade dos 2,8 milh\u00f5es de 2021. E essa desacelera\u00e7\u00e3o n\u00e3o para a\u00ed. Em 2024 a expectativa \u00e9 que entre admitidos e desligados, algo em torno de 1 milh\u00e3o de novas vagas, mostrando ser mais um cap\u00edtulo do ritmo menos acelerado do crescimento do mercado de trabalho. E se a PNAD apresentou ao fim de 2023 taxa de desocupa\u00e7\u00e3o de 7,4%, \u00e9 bastante prov\u00e1vel que encerremos o atual ano entre 7,5% e 8%.<\/p>\n\n\n\n<p>Em suma, estamos longe de mostrar um cen\u00e1rio plenamente preocupante do mercado de trabalho, que seria a presen\u00e7a de saldos negativos de empregos com carteira assinada, ou avan\u00e7o mais significativo da taxa de desocupa\u00e7\u00e3o. Todavia, \u00e9 importante destacar que um dos motivos de proje\u00e7\u00f5es mais t\u00edmidas no desempenho econ\u00f4mico de 2024 prov\u00e9m tamb\u00e9m da constata\u00e7\u00e3o de que o avan\u00e7o do mercado de trabalho ser\u00e1 mais contido e ainda sem horizonte na transposi\u00e7\u00e3o de seus desafios estruturais, como a baixa qualifica\u00e7\u00e3o dos candidatos e, por conseguinte, do rendimento das novas vagas, elevado n\u00famero de desalentados e do alto grau de informalidade, que nos acompanha h\u00e1 d\u00e9cadas. Portanto, novamente sinal amarelo ligado.<\/p>\n\n\n\n<p>Como de costume, seguem abaixo as nossas proje\u00e7\u00f5es dos principais indicadores macroecon\u00f4micos nacionais para o fim de 2024:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>PIB<\/strong>: 1,75%<\/li>\n\n\n\n<li><strong>IPCA<\/strong>: 3,9%<\/li>\n\n\n\n<li><strong>SELIC<\/strong>: 9,00% a.a.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Taxa de C\u00e2mbio:<\/strong> 5,00<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Balan\u00e7a comercial<\/strong>: + US$ 65 bi<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Taxa de desemprego ao fim do ano:<\/strong> 7,9%<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Vendas do com\u00e9rcio ampliado BR (12 meses)<\/strong>: +1,3%<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Volume dos servi\u00e7os BR (12 meses)<\/strong>: +2,0%<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-default\"\/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Jaime Vasconcellos, economista. 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