19/05/2020 | Por Jaime Vasconcellos, economista.

Passados praticamente dois meses dos impactos da Covid-19 em nossa economia e a máxima de vivenciarmos uma realidade sem precedentes se mantém. Os últimos dados do Relatório Focus, 18 de maio, traduzem bem esse cenário. Produto Interno Bruto (PIB) abaixo dos -5% para 2020 e câmbio acima dos R$5,00. Inflação cada vez mais próxima de 1% e Selic dos 2%. A economia brasileira desce ladeira em alta velocidade, sem observar alteração do ângulo desse asfalto.

Outro ponto a se citar, estima-se uma dívida bruta do setor público acima dos 90% do PIB, mesmo com a Selic ao menor patamar recorde. De toda forma, nesse momento de total emergência, a prioridade é salvar vidas, bem como a capacidade produtiva. É disso que estamos falando. Equilíbrio fiscal e teto de gastos não devem ficar no mesmo patamar da palavra “sobrevivência”. O que nos aflige, mesmo após semanas, é que ainda há completa desorganização das esferas públicas no combate à doença e ações ineficazes de enfrentamento à calamidade socioeconômica de perda de renda, emprego e negócios.

O crédito tradicional não chega, pois os intermediários se preocupam com seus balanços financeiros. São ainda mais seletivos em relação aos tomadores. O crédito subsidiado não possui profundidade, porque é pequeno, é direcionado e exigente – muita burocracia e garantias de quem não possui energias após tantas semanas com pouco ou nenhum faturamento. Sem contar as atividades impossibilitadas de atender normalmente seus clientes. Em outras palavras, o oxigênio é pouco e seletivo num ambiente ávido por renovação do fôlego.

Ao âmbito econômico, empresarial, a saída não chegará para todos. Infelizmente, o poder da atual crise em peneirar o ambiente de negócios será poderoso. Apenas empresas com reservas, pouco alavancadas, digitalizadas e com gestão em dia conseguirão traspor, não somente os dois meses que se passaram, mas alguns meses duros que virão. A reinvenção dos modelos empresariais e profissionais passa por um processo de inovação que normalmente se sobressai em qualquer geração. Neste momento, ele se impôs durante dois meses. O barco virou muito rápido e normalmente quando isso ocorre poucos continuam sobre sua superfície, ainda que seja possível se manter ao vento. A saída não virá do Governo. Virá do lado produtivo. Empresarial. Profissional. E o Sincomavi está do lado de quem busca por sua transformação.

Seguem abaixo, nossas projeções atualizadas para 2020:    

  • PIB: -5,5%                                                
  • IPCA/IBGE: 2,0%                                                                     
  • SELIC: 2,25%                                                      
  • Taxa de Câmbio: 5,50                                    
  • Balança comercial: + US$ 30 bi                  
  • Vendas do varejo: -8,0%                              
  • Volume dos serviços: -6,0%

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