Esta é a última edição de nossa carta de conjuntural em 2019. Não foi um ano fácil, por mais que fosse necessário para nossa economia tomar ritmo. Obviamente, quando se recorda que havia projeção do nosso PIB crescer 3%, e não chegaremos nem a metade deste percentual, há de se avaliar com frustração. O mesmo ocorre quando observamos a quantidade de desempregados e desalentados que ainda existem em nossa sociedade. A realidade ainda é desafiadora. Mas tivemos pontos de alento, e muito significativos.

A economia continuou a crescer. O juros básicos, medido por meio da Selic, estão em seu menor nível da história. A inflação segue controlada. Há geração de emprego com carteira assinada e ocorreu a aprovação de uma reforma previdenciária que nos trará economia de mais de R$ 800 bilhões ao longo dos próximos anos. Recorde em bolsa de valores, avanços em medidas calcadas em liberdade econômica, redução (ainda residual) dos gastos públicos, entre outros pontos de menor impacto que foram colocados em pauta.

É o suficiente? Nem de longe. Mas um bom caminho para possibilitar continuidade. É preciso seguir reformando, principalmente a esfera administrativa e tributária. É necessária redução maior de juros aos consumidores e empresários. É vital a melhoria do ambiente de negócios e políticas de apoio aos milhões de novos empreendedores que surgiram com a crise. E como se dá continuidade a isso? Com compromisso e vontade política. Para isso é tão importante a organização popular para apoios e repúdios, bem como proatividade das representações das categorias para defesa dos interesses privados e do seu aumento da produtividade.

A despeito dos desejos deste economista que vos escreve para que tenhamos um ano de 2020 melhor que o atual, precisamos nos manter alertas para que nosso país continue trilhando melhorias econômicas e a busca por maior desenvolvimento. Temos de tomar cuidado com retrocessos, tanto quanto com exageros.  Temos de pensar globalmente, mas agir localmente. Primar pelo bom senso, pela democracia, pela liberdade, pelos debates e pela evolução contínua dos nossos negócios, do nosso orçamento, dos nossos investimentos e, por que não, dos nossos próprios sonhos.

Feliz Natal e bons negócios em 2020!

Com isso, nossas projeções ficam:

Para 2019:Para 2020:
PIB: +1,1% (↑)PIB: +2,5%
IPCA/IBGE: 3,6% (↑)IPCA/IBGE: 3,5%
SELIC: 4,5% (↔) SELIC: 4,5%
Taxa de Câmbio: 4,15 (↑)Taxa de Câmbio: 4,10
Balança comercial: + US$ 50 bi (↔)Balança comercial: US$ 45 bi
Vendas do varejo: +4,0% (↑) Vendas do varejo: +5,0%
Volume dos serviços: +1,5% (↔)Volume dos serviços: +2,5%

Por Jaime Vasconcellos, economista.